MIL CONTOS PARA CORRER MUNDO (II)

 

O prefácio:

” SE BEM O PENSAMOS…

Este livro de estórias escritas pelos alunos da turma W1 resulta do seu percurso no 1º ciclo, quatro anos de aprendizagem e crescimento sempre conduzidos pela Professora Sara Veiga. A minha participação resume-se ao desafio de ajudar  ao melhor conhecimento do mundo dos contos tradicionais, de autor e de imagens, para aproveitarem dos ensinamentos ancestrais que percorrem gerações.

Há vários anos que mantenho esta proximidade com a Escola de Miramar e desenvolvo, em estreita parceria com as Professoras, alguns projetos que têm resultado em trabalhos finais muito variados. Fui aprofundando esta linha de trabalho que sempre me parece frutuosa para as crianças e,  pelos testemunhos de antigos alunos, algo marcante na memória das vivências escolares. Além de proporcionar um agradável modo de consolidação de algumas competências basilares – ouvir, contar e escrever.

 

No 2º ano, começou como outros projetos, a contadora aparecia e contava, logo desaparecia e voltava na semana seguinte com outro conto. Estes meninos ouviram estórias, aprenderam e praticaram a escuta ativa, habituaram-se a seguir o fio que liga os acontecimentos, a compreender as personagens e as suas motivações, a dar e fundamentar opiniões

No 3º ano nasceu o nome MIL CONTOS PARA CORRER MUNDO, a partir de um brainstorming que envolveu toda a turma. Lembrei-me daquele tempo em que com mil contos (dinheiro) se poderia correr o mundo todo…! As crianças leram muito, escolheram um país que pesquisaram e aprenderam um conto dessa cultura, experimentaram contar, propuseram finais alternativos para estórias que ouviram, fizeram e aceitaram críticas sem melindres.

Alguns alunos de outra turma juntaram-se ao projeto e como preparavam o seu audiolivro, também contando estórias de vários países, encontraram na W1 ouvintes atentos e animadores. Em diversas ocasiões praticaram os recursos da narração oral – caracterização de personagens, vozes e postura corporal, descrição de lugares, análise da coerência do enredo, substituição de elementos conhecidos por outros inesperados. No final do ano letivo, combinei com a Professora Sara uma maneira de sabermos se tinha melhorado a memória imediata e o seu domínio da escuta. Para isso, contei “ O Caçador de Borboletas” do livro Estranhões e Bizarrocos, de José Eduardo Agualusa, com doze alterações propositadas de pormenores e saí da sala. Em seguida a Professora leu o conto e propôs aos alunos que levantassem o braço cada vez que encontrassem uma divergência entre o texto do livro e o que tinham ouvido. Nenhuma alteração passou despercebida apesar de algumas serem minuciosas!!

No 4º ano, os alunos continuaram a ouvir contar, a contar também e a ideia deste livro começou a tomar corpo. Além do esperado e conseguido grau de proficiência na escrita em alunos do 4ºano, puderam conhecer técnicas de escrita criativa, sendo a do prisioneiro a que mais entusiasmo produziu!

Os textos são muito variados, os meninos também. Cada um aqui fica, e vão ser lidos e comentados por muitas pessoas. Umas encontrarão falhas, outras irão valorizar a criatividade, a imaginação, a busca de palavras mais raras. Mas nós, que somos crescidos, sabemos que é apenas mais uma recordação. Daqui a muitos anos alguém vai reencontrar MIL CONTOS PARA CORRER MUNDO, folhear e dizer “Anda cá, filhinho, que te vou contar uma estória que escrevi há muitos anos!” e um sorriso vai iluminar os dois porque a magia dos contos continuará viva.

Passámos bons momentos juntos, dei-vos um pouquinho e recebi muito, olhares atentos, perguntas inteligentes, aplausos calorosos e estímulo para continuar.

A cada criança e à Sara deixo um abraço, para sempre!

Agora, vamos! Mas temos encontro marcado…

Maria Rouco

contadora de estórias “